Oráculo dos Mortos – Necromanteion de Éfira

Na Grécia Antiga, embora houvesse dezenas de oráculos dedicados a diversas divindades, existiam apenas quatro grandes oráculos dos mortos reconhecidos como os principais canais de comunicação com o mundo subterrâneo. Estes locais eram situados em pontos geográficos que os antigos acreditavam ser entradas físicas para o Hades, geralmente em cavernas profundas ou perto de águas estagnadas. O Necromanteion de Éfira era o mais conhecido deles.
Os antigos gregos acreditavam que as almas dos mortos entravam no submundo através de fendas subterrâneas e que era possível se comunicar com os mortos através de rituais específicos. Isso servia como uma oportunidade para se conectar com entes queridos falecidos e também para utilizar os espíritos para adivinhação.
O necromanteion não era apenas um oráculo, era também um santuário dedicado aos senhores do submundo, Hades e Perséfone. Devotos vinham de todos os lugares da Grécia Antiga para este ponto, com o objetivo de se comunicar com os espíritos de entes queridos que já morreram.

Os visitantes que desejassem se comunicar com os mortos entravam na câmara escura e seguiam rituais específicos, elaborados para proteção e comunicação com os mortos, que duravam vários dias. Quando estivessem prontos, um sacerdote os conduzia para o interior da câmara para um sacrifício ritual de um animal, passando por três portões simbólicos do Hades.
Os peregrinos esperavam ver as imagens dos mortos como sombras contra a luz bruxuleante das lanternas. Essas visões podem ter sido intensificadas pela dieta especial recomendada nos dias que antecediam a entrada no santuário, que alguns descreveram como incluindo alucinógenos. Curiosamente, dentro das câmaras subterrâneas, os arqueólogos encontraram dispositivos mecânicos que podem ter sido usados para aprimorar a aparência dos mortos animados. Após uma sessão com os mortos, os peregrinos eram proibidos de falar sobre o que haviam aprendido, por medo de que Hades lhes roubasse a vida em troca.
Segundo o arqueólogo grego Sotirios Dakaris, que identificou o Necromanteion de Éfira em 1958, o Santuário ficava localizado no topo de uma colina próximo a confluência dos rios Aqueronte, Piriflegetonte e Cócito, três dos cinco rios associados ao Hades. A estrutura principal, datada do início do período helenístico (século IV-III a.C.), possui uma cripta subterrânea esculpida na rocha com propriedades acústicas únicas, projetadas para criar fenômenos psicoacústicos intensos nos visitantes.
Porém estudos posteriores refutam essa localização, como nos mostra Baatz, em 1979, a estrutura identificada por Dakaris não passava de um tipo de torre de proteção para uma adega ou cisterna. Mas as duas estátuas de Perséfone encontradas na construção poderiam indicar que o verdadeiro necromanteion não estava muito longe dali.
Apesar dessa divergência, ainda hoje o sítio arqueológico do que seria o Necromanteion de Éfira, recebe visitantes e é um importante ponto turístico da Grécia.
REFERÊNCIAS
www.atlasobscura.com/places/necromanteion-of-ephyra
D. Baatz, “Teile hellenistischer Geschütze aus Griechenland”, Archäologischer Anzeiger 1979 (1979), pp. 68-75.
S. Dakaris, The Antiquity of Epirus: The Acheron Necromanteion: Ephyra-Pandosia-Coassope (Athens, 1973);
